domingo, 14 de outubro de 2012

Entenda o que são os "PETRODÓLARES"

Entenda o que são os "PETRODÓLARES", e sua gigantesca influência no sistema financeiro global.

Hoje, a grande maioria das transações relacionadas aos 86 milhões de barris de petróleo que são comercializados diariamente, são feitas em dólares. Isto significa que qualquer país precisará de dólares norte-americanos para comprar um barril de petróleo, e para obtê-los precisará recorrer aos mercados de câmbio internacionais ou exportar os seus produtos aos EUA em troca de dólares. Os chamados “petrodólares” são os dólares norte-americanos recebidos pelos produtores de petróleo em troca da sua produção. Esse acordo deu ao dólar uma força artificial com tremendos benefícios financeiros para os EUA.

Desta maneira, os EUA recebem um duplo empréstimo por cada transação de petróleo: aumentam a demanda mundial por dólares e títulos do Tesouro dos EUA, e podem imprimir dólares para comprar petróleo, fazendo com que os países exportadores em geral e produtores de petróleo fiquem com o ônus da dívida após terem recebido os dólares em papel moeda (uma espécie de dinheiro fantasma, sem lastro produtivo). Hoje, os EUA importam 1/8 da produção mundial de petróleo, e, por estranho que possa parecer, a principal exportação dos EUA é o dólar em papel moeda, cuja demanda é mantida alta de maneira artificial, e permite custear os altíssimos gastos militares (aproximadamente 70% da economia dos EUA gira em torno do chamado complexo militar industrial) e o consumo de produtos importados a preços baixos.

Esta situação teve início na década de 1970, quando o sistema de conversibilidade do dólar ao ouro, definido em Bretton Woods em 1944, colapsou. Os EUA começaram a produzir enormes déficits fiscais e o controle da inflação e do desemprego passaram a ser constante fonte de preocupação dos vários governos norte-americanos. Um dos principais mecanismos para manter o controle mundial foi o estabelecimento de uma estrutura financeira que mantivesse a necessidade de demanda pelo dólar, junto com a transferência do setor industrial para países onde fosse possível a exploração de mão-de-obra semiescrava, principalmente a China.

O Secretário de Estado Norte-americano na época, Henry Kissinger, liderou uma série de reuniões secretas com a família real saudita que levaram ao acordo mediante o qual o EUA daria proteção militar à Arábia Saudita em troca da concordância sobre a precificação do petróleo em dólares norte-americanos e o investimento de uma parte dos lucros em títulos do Tesouro Norte-americano. Kissinger posteriormente chamou este sistema de “reciclagem dos petrodólares”. Apesar da aparente simplicidade, trata-se de um sistema complexo e com múltiplas dependências e amarrações, e tem se tornado uns dos principais direcionadores da política expansionista norte-americana.

Em 1975, todos os países produtores de petróleo associados à OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aderiram a esse acordo. A presença militar norte-americana tornou-se intensa em quase todos os países do Golfo Pérsico: Bahrain, Iraque, Kuwaite, Oman, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Israel, Jordânia e Iêmen.

Impactos da quebra do sistema financeiro baseado nos petrodólares

O domínio mundial dos EUA tem atingido níveis de parasitismo nunca vistos na história da humanidade. A partir de 1980, os EUA se transformaram, de maior credor, no maior devedor do mundo. O frágil equilíbrio da economia dos EUA requer o constante crescimento da emissão de papel moeda (dólar) e da demanda por títulos do Tesouro Norte-americano para cobrir os gigantescos déficits e manter a economia funcionando.

Sem a constante demanda proveniente dos petrodólares, o sistema financeiro norte-americano colapsaria, os bancos centrais dos demais países não teriam razões para continuar comprando dólares, e a necessária continuidade da impressão de papel moeda levaria a níveis de inflação estratosféricos. As taxas de juros aumentariam exponencialmente, e ajudariam a colapsar a já frágil economia dos EUA, aprofundando a crise imobiliária e congelando o consumo.

Hoje, dois terços do comércio mundial é feito em dólares, duas terceiras partes das reservas dos bancos centrais são feitas em dólares e os principais organismos internacionais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Banco Mundial operam exclusivamente com dólares.

Mas até onde este sistema poderá ser mantido? O dólar, que está sustentado em cima de dívidas, não poderá sobreviver a uma crise deste tipo, tal como tem acontecido com outras moedas sem lastro produtivo e crescimento declinante. O déficit público dos EUA atingiu mais de US$14 trilhões de dólares, e a expectativa é que atinja US$17 trilhões em 2012.

Algumas movimentações concretas para a substituição dos petrodólares já têm sido vistas no mercado mundial. A primeira medida dos EUA no Iraque em 2003 foi a troca, que tinha sido introduzida em 2000 pelo governo de Saddam Hussein, do euro para o dólar nas transações de petróleo. Em 2002, a Coréia do Norte começou a usar o euro nas suas compras de petróleo; a Venezuela ameaçou seguir o mesmo caminho em 2006. O aumento das contradições estadounidenses ficaram evidentes em todos os principais acontecimentos: a França e a Alemanha se opuseram à invasão do Iraque; há contradições importantes em relação às agressões aos países árabes para conter o avanço das revoluções na região.

A Rússia começou a vender petróleo à China em rublos em 2011. Há negociações em curso para que o fornecimento de gás russo para a Europa seja feito em cima de uma cesta de moedas.
Como disse Ron Paul, o dólar é hoje lastreado pelo petróleo. Não que os EUA produzam suficiente petróleo para lastrear sua moeda, muito pelo contrário: os EUA são os maiores consumidores de petróleo do mundo. O lastreamento é baseado na “imposição” dos EUA em que os petróleo continue sendo cotado em dólar e aqueles que tentarem desafiar essa imposição sofrerão embargos ou até invasões militares.

Os EUA hoje importam petróleo praticamente sem custo, precisando apenas imprimir as verdinhas. O fim do dólar como moeda internacional de referência significaria que os EUA teriam que produzir alguma coisa para trocar por petróleo. Além disso, os trilhões de dólares em posse dos Bancos Centrais estrangeiros e grandes investidores voltariam para os EUA fazendo a inflação explodir. Na realidade, o fim do dólar como moeda de referência significaria uma redução brutal no padrão de vida americano.

Um comentário:

  1. A gente lê milhares de explicações para as guerras e intervenções que os EUA mantém no mundo. E a verdadeira causa está aqui, escondidinha, pra ninguém saber. Precisa divulgar mais essas informações.

    ResponderExcluir